5º Capítulo — Part III.
Ficamos ali nos olhando por um tempo, e ao perceber o quanto aquilo tava babaca ele deu um risada e disse que tava começando a ficar com frio.
— Vamos sair então. — Sugeri.
— Tenho uma ideia melhor.
Ele disse se aproximando à mim. Senti um frio na barriga, minhas mãos começaram a suar. Era agora. Ele tava ali, a centímetros do meu rosto. E tudo o que eu queria era aquele beijo. Acho que ele leu pensamentos e em seguida foi colocando minha franja atrás da minha orelha, só sorri, foi a única reação que consegui naquele momento. Não precisou de mais nada, ele aproximou seus lábios dos meus e me beijou. Lábios suaves e macios, assim como imaginei todos os dias. O beijo era ainda melhor do que tinha pensado. Um beijo calmo, e ao mesmo tempo intenso. Ele colocou uma mão na minha nuca, e a outra na minha cintura me levando pra mais perto dele. Senti seu corpo junto ao meu, e no mesmo instante meu corpo todo se arrepio. Ficamos ali nos beijando a ponto de eu ficar sem fôlego e ir parando o beijo aos poucos. Abri os olhos e ao olhar pra ele, ele já estava olhando pra mim. Fiz uma cara de surpresa.
— Uau. — Foi tudo o que consegui falar.
— Achou que eu nunca ia fazer isso né? — Ele sorriu.
— Bom, não achei que seria agora. — Ainda estava tentando volta ao meu normal.
— Eu estava esperando chegar o momento certo.
Não entendi porque o momento certo, porque aquele era o momento certo? Por estarmos sozinho não era, porque já tínhamos ficado sozinhos antes. Ele pareceu perceber que eu não tinha entendido e completou.
— Sabe, ver se era isso mesmo que eu queria, pra não te magoar depois.
— Ah tá. — Fiz uma cara muito desagradável demonstrando que não tinha gostado nada do que ele tinha falado. Como assim ver se era isso que queria, por favor né.
— Não nesse sentido que você ta pensando Line. Para de fazer essa cara, fica feia em você. — Ele começou a rir, e o clima ficou um pouco menos tenso.
— Então me explica melhor. — Tentei fazer a cara mais agradável que conseguia pro momento.
— Tipo, eu ainda curtia a minha ex, não queria ficar com você e sentir algo por ela ainda entendeu? Não queria te magoar, porque eu gosto de você. Sei que você é uma mulher maravilhosa e não merece sofrer.
Eu sorri. Com certeza foi o sorriso mais sincero e feliz de toda a minha vida.
— E como você descobriu que não era mais afim dela?
— Ontem à noite. Ela foi em casa buscar umas roupas que estavam lá, e eu não senti nada. E se fosse antes de te conhecer e ficar amigo seu, eu teria uma recaída. E não foi por falta de tentativa dela — Ele disse um pouco orgulhoso, mas depois se sentiu arrependido por ver a minha cara, e continuou. — Eu tava esperando esse tempo pra ver se o que eu achava que tava sentindo, eu sentia de verdade. E só depois de ontem eu tive certeza.
Eu não consegui falar nada, tava tão contente em ouvir aquilo. Finalmente tinha entendido o porque dele nunca ter tomado uma atitude. E achei muito legal da parte dele em se preocupar com os seus sentimentos, e melhor, comigo também. Abracei ele, e pelo meu abraço ele pode entender que eu tava feliz com aquilo. Percebi que estava voltando ao meu normal, e soltei do abraço, encarei ele por alguns segundos e disse.
— Essa sua atitude só me mostrou que você é realmente como eu pensei que fosse.
Ele só sorriu e sugeriu que a gente saísse da piscina. O vento tava gelado pra caramba. Saímos da piscina e ele disse que ia la dentro pegar uma coisa. Enquanto isso fui me enxugando com uma toalha que ele tinha deixado na cadeira, junto com as roupas que me trouxe. Alguns minutos depois vi ele saindo da casa com um violão na mão. “Perfeito” foi o que eu pensei. Se a noite já tava perfeita, com violão então ficaria melhor ainda. Ficamos ali na beira da piscina, ele cantando e tocando violão, e eu ajudando na segunda voz. Foi engraçado até eu tentar cantar. Não era nada bom comparada com aquela voz de anjo dele. Olhei pro meu relógio e vi que já era 1:00 da manhã. Pedi pra ele me levar embora, e ele concordou.
5º Capítulo — Part II.
Eu perguntei algo sobre a surpresa, alguma pista e nada. Ele nem abria a boca. Aquele silêncio estava me incomodando.
— Tá, ja percebi que você não vai falar o lugar, mas não precisa ficar mudo também.
— Você sabe assim como eu que se eu começar a falar vou acabar entregando alguma coisa, então aguenta ai que tá chegando.
Eu dei uma risada baixo e estendi minha mão pra ligar o som do carro. Tava no meio da música do Jorge e Mateus, tocando a seguinte frase:
“Sofro e morro todo dia, vivendo essa agonia que me tira a paz. Um dia te levo comigo e de saudades suas eu não choro mais.”
Comecei a cantar a música, e ele me acompanhou. Antes da música terminar já tínhamos chegado no tal lugar surpresa. Era uma fazenda, um racho, algo assim. Uma casa grande e simples nos detalhes. Tinha uma garagem um pouco grande bem na entrada, porém sem carros naquele momento. As luzes de dentro da casa estavam todas apagadas, só havia a luz da varanda da frente acessa. Ele parou o carro no meio do caminho e eu estranhei, até perceber que tinha tipo uma porteira pra abrir, ele saiu do carro e enquanto ele abria a porteira meus pensamentos estavam me levando a loucura. Ele voltou pro carro e em alguns instantes estávamos na garagem. Desci do carro e fiquei encostada na porta esperando alguma fala dele.
— Você vai ficar ai parada, ou vai entra pra comer? Porque eu to varado de fome.
— Só estou tentando entender porque você me trouxe aqui.
— Queria sair da confusão da cidade, a calmaria daqui me faz bem. Vem, vamos la pra dentro que eu já deixei a comida pronta.
— Hum, então você sabe cozinhar? — Perguntei, imaginando que aquilo era bom demais pra ser verdade.
— Não exatamente, antes de ir te buscar eu pedi comida no restaurante.
Mais é claro que tava bom demais pra ser verdade, mas não me importei. Achei até legal da parte dele. Entramos na casa e confirmei o que tinha visto la fora, era enorme. Entramos direto na sala, tinha uma lareira num canto apagada, eu sempre tive vontade de ficar em frente à uma acessa num dia frio, com uma pessoa, essas coisas clichês. Próximo a lareira tinha uma estante com algumas bebidas, e no outro canto da sala a tv e os sofás. Ele pediu pra eu ir ligando a televisão que ele iria na cozinha pegar a comida. Assenti com a cabeça, mas ainda estava imóvel. Aquele lugar era incrível. Além da lareira e da tv enorme que mais parecia um cinema ainda tinha uma estante somente pra bebidas, quer coisa mais perfeita? Com certeza faria isso na minha futura casa. Parei de sonhar nos meus pensamentos e fui ligar a tv. Um dos três sofás ficava de frente pra tv, e os dois ao lado, sendo um na direita e outro na esquerda. No meio tinha aquelas mesinhas de centro. Peguei o controle e fiquei perdida no meio de tantos botões até encontrar o que ligava. Ouvi alguns múrmuros vindo da cozinha.
— Quer ajuda ai? — Falei um pouco alto pra que ele pudesse me ouvir.
— É bom né. — Ele disse num tom irônico e logo soltou uma risada.
Passei por um corredor um pouco estreito e vi uma luz acessa, imaginei que lá seria a cozinha. A cozinha não diferente da sala também era enorme. Ele tinha adivinhado na mosca, pediu comida japonesa. Era meu vício. Ele tava segurando duas caixinhas de comida e tentando pegar o refri e os copos. Quando vi aquela cena não pude deixar de rir.
— Isso, fica rindo da desgraça dos outros.
— É que chega ser engraçado essa cena. — Peguei o refri e os copos na mão e fui voltando pra sala.
Tava passando algo muito chato na tv que não me lembro o que era, e definitivamente aquela comida não me fazia querer saber. Como comida japonesa pode ser tão bom assim? Melhor coisa do mundo. Depois de dormir, e outra coisa ai que vocês imaginam o que é rs. Terminamos de comer e aquele programa na tv tava realmente muito chato.
— Não tem nenhum filme ai pra gente assistir? — Perguntei fazendo uma cara de entediada.
— Até tem, mas vamos la pro fundo. Chega de tv né?
— Ok, se você diz. O que tem lá de bom?
— Piscina. — Ele me disse olhando com uns olhos muito maldosos, indicando que provavelmente iria me jogar nela.
— Nada disso. Vamos ficar por aqui mesmo.
— Ah deixa de ser chata, sabia que você ia fazer uma frescura básica pra entrar de noite na piscina e por isso deixei um short e uma blusa pra você colocar pra entrar la no fundo.
— Como você é inteligente. — Eu sorri.
Ele me levou pro fundo, passamos por toda a casa e pude conhecer um pouco os cômodos. Não reparei muito. A piscina era grande e provavelmente era um tanto funda. Perguntei onde estava o tal short e a blusa e fui pro banheiro me trocar. Quando sai do banheiro senti ele me segurar por trás com força, me movendo até a beira da piscina. Franzi a testa. Não gostava muito dessa coisa de ser jogada na piscina, mas estava até gostando. Falei com uma voz um tanto abafada:
— Faça isso e você é um cara morto.
Droga. Droga. Droga. Mil vezes droga. Ele gostava de ser desafiado pro meu azar. E em alguns segundos estávamos os dois dentro da piscina, minha cara não era das melhores olhando pra ele, fingi estar muito brava.
— Tira esse bico da cara vai.
— Não gostei disso. — Eu falei sério, mesmo querendo rir muito por dentro.
— Vem cá — Ele disse se aproximando um pouco mais de mim — Deixa de ser marrenta.
— Eu tô brava Nivaldo cara… AHHAHAHAHA — Não consegui me conter, não dava mais pra segurar a risada. — Droga, era pra eu conseguir fingir estar brava com você.
Ele começou a rir e eu não pude evitar rir junto com ele. Ele veio se aproximando de mim e joguei água com as mãos na cara dele, o que óbvio não o deixou nada feliz. Causando uma guerrinha de água. Depois de uns 2 minutos nessa guerrinha eu me rendi, deixei ele “vencer”.
5º Capítulo — “A surpresa”
Algumas semanas se passaram após a festa na casa da Carol, aproximadamente um mês. Eu e ele começamos a trocar mensagens e ligações quase todos os dias. E se antes de conhecê-lo eu tinha um quedinha por ele, depois virou um abismo. Ele realmente mexia comigo. E era de um jeito diferente. Um jeito que ninguém antes havia feito. Ficamos amigos, e às vezes, era quase impossível eu não demonstrar que aquilo pra mim era mais que amizade, e ele nada. Nenhuma investida. Nenhuma tentativa de beijo. Estava começando a achar que tinha ido parar na friendzone.
Comentava com a Paula praticamente todo o dia dessa falta de atitude dele, e ela tinha me dito pra eu tomar a tal atitude. Fiquei com receio, digamos que estava mais pra medo dele realmente não querer nada comigo além da amizade. A Paula vivia me incentivando a tomar a atitude. Mas algo me prendia. Acho que no fundo eu queria que partisse dele a vontade do primeiro beijo, não que eu também não queira se é que me entende.
Era uma quinta-feira e na hora do meu almoço ele me liga.
— Tem algo pra hoje à noite?
— Além de dormir? — Falei num tom sarcástico. — Bom, deixa eu ver aqui na minha agenda. — Pausei e em seguida completei — É não.. nada pra hoje. — E ri.
— Engraçada você hem. Com esse seu senso de humor já da pra trabalhar no zorra total. — ele riu — Mas sério agora, vamos sair eu e você?
— Desde que você me deixe em casa antes da meia noite, eu topo.
— Meia noite? Ah para vai.
— Amanhã eu acordo cedo pra trabalhar meu querido.
— Ok ok. Te deixo em casa meia noite, mas assim vou ter que te pegar mais cedo. Umas 7:30, 8:00 pode ser?
— Fechado. Mas pra onde vamos?
— Surpresa. Mas você vai gostar. Tenho que desligar agora, te vejo mais tarde. Beijo.
Ele desligou o celular e nem esperou eu me manifestar sobre a tal surpresa. Esperto. Sabia que se ele continuasse a falar comigo eu conseguiria arrancar dele alguma pista. Fiquei ansiosa e feliz ao mesmo tempo, mudou até meu humor no trabalho e meu chefe comentou que eu poderia ser mais humorada sempre. “quem vê pensa que sou o mau humor em pessoa” — pensei.
O resto do dia até que passou rápido. Sai do serviço e não perdi tempo, fui correndo pra casa, teria pouco tempo pra me arrumar. No meio do caminho passei na casa da Paula pra avisar da novidade. Ela ficou mais eufórica que eu. E brincou dizendo que era hoje que ele ia tomar a atitude. Completei dizendo que íamos apenas sair como das outras vezes, não queria colocar expectativas. Ela se ofereceu pra ir me ajudar escolher a roupa, essas coisas. Eu claro, aceitei. Fomos pra casa e assim que cheguei fui direto pro banho, enquanto isso Paula ficou conversando com meus pais. Era incrível como eles se davam bem. Terminei o banho e chamei-a. Fizemos uma bagunça enorme no meu quarto pra encontrar uma roupa, e no final escolhemos uma calça jeans, uma blusa de um ombro só, que eu particularmente adorava. E nos pés uma sapatilha, simples. Não poderia exagerar, era uma quinta-feira e o fato de não saber pra onde iríamos não ajudou muito. Enfim, estava me maquiando e ouvi o barulho de uma buzina. Disse pra Paula ir até a sala ver se era ele. E era. Nem precisei esperar ela voltar pro quarto pra saber, já tinha escutado o barulho do portão se abrir e aquela voz incrivelmente contagiante cumprimentar meus pais. Paula voltou pro quarto e só soltou a seguinte frase “Você se deu bem em gata.” Eu comecei a rir, e me apressei na maquiagem enquanto ouvia minha mãe conversando com ele. Mais dez minutos e pronto, estava pronta. Desci as escadas e imediatamente pude ver seus olhos de encontro ao meu, ele sorriu de uma forma que se o tempo parasse ali, estaria perfeito. Me despedi dos meus pais e da Paula que provavelmente ficaria em casa ainda no mínimo umas duas horas. Quando junta ela e minha mãe pra conversar, ninguém segura. Ao sair de casa vi parado em frente um gol, nunca tinha o visto dirigindo, sempre era eu que o buscava, ou a Paula. Enfim, ele foi um total cavalheiro abrindo a porta do carro pra eu entrar. Eu sorri com aquele gesto, pequeno e ao mesmo tempo grandioso. Entrei no carro e em seguida ele também.
— Você esta linda.
— Obrigada — Sorri timidamente.
4º Capítulo — Part II.
Fui ao banheiro pra fazer minhas necessidades e aproveitei pra retocar a maquiagem, demorei um pouco lá dentro até escutar a voz dele, e me perguntei porque eu sempre escutava aquela voz de longe. Apenas sorri, respirei fundo e sai do banheiro. Percebi no seu olhar a surpresa ao me ver, ele sorriu e eu sorri de volta. Aquele sorriso me fascinava. Cumprimentei ele de beijo no rosto e tudo, em seguida ele me apresento ao moço que na noite do bar, cantou chora me liga pra dançarmos.
— Aline, esse é meu irmão Luciano.
Eu apenas dei um sorriso de lado e o beijei no rosto.
— Prazer Luciano.
— Opa, prazer o meu. Já ouvi falar muito de você, tava ficando curioso pra saber quem era você.
Não consegui conter minha alegria ao ouvir essas palavras, e sem querer, deixei transparecer um sorriso aberto.
— Espero que coisas boas. — Soltei uma risada baixa. Há essa hora eu já estava sorrindo pra tudo, se uma folha caísse ao meu lado eu iria rir. E não era o efeito do álcool que estava me causando isso.
— Isso ele te conta. — Luciano olhou pra mim com uma cara que logo entregou o seu irmão — Vou ali com a Carol, da uma atenção pra minha morena né. Depois eu volto aqui.
Senti um frio na barriga. Tinha apenas alguns segundos que Luciano tinha deixado nós a sós, mas pareciam eternidades, aquele silêncio parecia nunca terminar.
— Então, sei o nome do seu irmão, mas ainda não sei o teu. — Disse tentando quebrar o silêncio.
— Eu tenho cara do que?
— Pra ser sincera, você tem cara de Gusttavo mesmo sabia? Combinou perfeitamente. Mas, deixa eu ver aqui.. — Fixei meu olhar no seu rosto, fiquei ali apenas admirando aquele olhar, aquele sorriso tímido, até voltar ao meu consciente. — Lucas?
— Não passou nem perto. Mas como eu sou uma pessoa boa, não vou deixar você ficar chutando nomes a noite inteira, até porque acho muito difícil você acertar. Meu nome é Nivaldo.
— Não iria acertar nunca mesmo. Meu tio chama Nivaldo. — “Claro Aline, ele queria mesmo saber o nome do seu tio, boa viu.” — Pensei
— É, não é um nome muito comercializado. — Ele sorriu, e eu novamente amoleci.
— Você quer que eu te chame de Gusttavo, ou de Nivaldo?
— Do que você achar melhor.
— Vou te chamar de Nivaldo.
— Tudo bem. E você ainda não me passou o número do seu celular.
— Você acha que já merece?
— Bom, depois de todo esse destino de nos encontrarmos duas vezes sem combinar, acho que mereço uma chance né?
— E não é que você é bom de papo? — Eu comecei a rir e fui falando o meu número pra ele.
Ficamos ali um bom tempo conversando. Contei do meu término recente, e ele de um namoro frustado que teve a pouco tempo. Estávamos quase na mesma situação. Era coincidência demais. Ou seria destino?
4º Capítulo — “Sorte ou destino?”
A semana demorou pra passar. Acredito que foi uma das mais demoradas do ano. Na quarta-feira o Diego foi em casa assistir o jogo do Corinthians com o meu pai, como de costume. Certas coisas acho que não iam mudar tão cedo. Não tocamos no assunto nós dois, e nem comentei sobre a foto que ele postou com a música do Jorge e Mateus. Aliás, mal conversamos. Fiquei apenas cinco minutos do jogo na sala, o resto fui pro meu quarto, estava cansada.
E finalmente chegou a tão esperada sexta-feira, parecia que chegava o natal mas não chegava 6:00 hrs. Enfim, fui embora. Dois dias de descanso daquele lugar, era tudo o que eu precisava. Eu estava dirigindo quase chegando em casa e meu celular tocou, não podia atender, Paula podia esperar mais uns cinco minutos. Quando cheguei em casa vi que não era Paula, era restrito. Droga, odiava quando me ligavam restrito, eu ficava morrendo de curiosidade. Depois de tomar um banho, me joguei na cama e capotei. Acordei com meu celular tocando. Olhando pra tela e vi que era a Paula.
— Onde você tá muié? Tô te ligando a horas.
— Você acabou de me acordar, parabéns.
— Ah tá explicado então! Não acredito que você vai fica em casa em plena sexta feira.
— Quem disse que vou? Estava esperando você me ligar, eu só cai no sono. Que horas são?
— 20h45m. Eu tô aqui na casa da Carol fumando narguile e tomando cerveja. Vem pra cá.
— Ok. Daqui uma hora mais ou menos eu apareço por ai. Vocês vão ficar ae o resto da noite ou vão dar uma volta?
— Não sei, mas na dúvida se arrume pra sair. Anda logo, to te esperando.
Desliguei o celular ainda meio sonolenta. Fui mexer no meu celular e tinha 10 chamadas perdidas da Paula e 1 chamada perdida restrito. — Droga. — Pensei alto. Fui pra cozinha e meu irmão finalmente estava em casa, não sei por qual milagre. Conversei com ele enquanto fazia um lanche pra comer. Ele pra varia pediu pra eu fazer um pra ele. Confesso que dessa vez nem reclamei de fazer lanche pra ele, estava com saudades dele em casa, de conversar com ele, de brigar. Eu e meu irmão temos diferença de 2 anos de idade. Ele é mais velho. Quando éramos criança não desgrudávamos um do outro, ai depois na adolescência foi aquela história de um não suporta o outro, e agora eu sentia a falta dele. Terminei de come e deu pra colocar o assunto em dia, subi pro meu quarto pra me arrumar e fiquei com uma preguiça enorme de procurar roupa, peguei a primeira que vi na frente. Simples, porém estava me sentindo bem e confortável. Era uma calça jeans, com uma blusa tomara que caia preta, e uma jaqueta de couro vermelha. Eu odiava dirigir de salto. Fui de chinelo até a casa da Carol e levei uma sandália pra colocar. Cheguei na casa dela já era 23h00m. Paula como sempre ficou falando merda por eu ter atrasado, só pra variar. Pensei que ia ter somente as duas lá, engano meu, tinha uma galera. Tinha até pessoas que eu não conhecia. Cumprimentei todos, e deixei o Diego por último.
— Eae Corinthiano. — Disse dando um beijo no rosto dele.
— Nem vem, eu tô bravo com você. — Fez uma cara sério que não durou nem 2 segundos. E riu em seguida.
— Ih, que que eu fiz amore?
— Não me deu moral na quarta feira, não atende seu celular.
— Ah, então é você que tá me ligando restrito seu filho da mãe?
— Meu cel tá restrito? Porra! Deve te sido a minha irmã que coloco pra ligar pros macho dela.
— Deixa a Isa ter os peguete dela — Disse rindo.
— Não proíbo, quem sou eu pra proibir ela de ficar com alguém? Mas não precisa usar meu celular pra ficar ligando pra eles.
— Ninguém mandou ter celular de conta, dá nisso.
Ficamos ali conversando um bom tempo, tinha me esquecido de como era bom conversar com o Diego, ele me fazia um bem enorme. Falamos de todos os assuntos possíveis, até de desenho animado. Diego era viciado no Bob Esponja, e eu mais ainda. Ele imitava o bob certinho, era muito engraçado. Paula chegou se intrometendo na conversa me pedindo pra ir no canto falar com ela.
— Pera ae Diego, que a educação da Paula passou longe por aqui. — Ele riu.
— Pode ir. Eu vou la na frente com os moleques, té mais.
A casa da Carol era grande. Tinha um quintal enorme com piscina, churrasqueira e tudo, estávamos lá. E tinha um pouco de gente na varanda, não sei fazendo o que.
— Você não consegue ficar um minuto sem mim não é? — Falei provocando ela.
— Cala a boca! Eu tenho uma novidade que você vai gostar.
— Diga.
— Sua paixão tá vindo pra cá.
— Que paixão?
— Ah Aline não se faça de sonsa vai! O cantor, Gabriel, Giovane, sei lá o nome dele.
— Gusttavo.
— Esse mesmo.
— Quem te conto?
— A Carol. O irmão dele fica com ela, e eles estão vindo pra cá, acabaram de sair do rancho sertanejo.
— E da onde a Carol conhece o irmão dele?
— Não faça perguntas dificieis, eu estou bêbada.
Eu ri. Paula ficava engraçada quando tava bêbada, falava mais que o normal. Fiquei inquieta, olhava toda hora pro corredor que dava pro quintal pra ver se eles chegavam, e nada deles. Até eu sossegar e ir ao banheiro.
3º Capítulo — “A primeira carta.”
O final de semana passou mais rápido do que eu esperava, e sabia que o resto da semana iria ser longa. Depois de sábado eu não vi mais o Gusttavo, ou seja lá qual for o nome dele. Mas não parava de pensar naquele sorriso, naquele olhar. Eu já estava ficando louca, precisava entender o que estava acontecendo comigo. Decidi escrever.
“Eu só queria entender, só isso. Entender porque aqueles olhos negros mexiam tanto comigo, porque aquele sorriso fazia eu ter vontade de ser feliz também. Tá tudo confuso aqui dentro de mim. Confesso que estou gostando desse novo sentimento, que ainda não sei qual é, deve ser aquela ilusão de quando você não conhece a pessoa, mas aí depois que você conhece você perde todo o encanto. Eu queria que fosse só isso. Eu tô começando a achar que alguém fez uma macumba pra mim. Sonhava com ele toda noite, cantando. Era sempre a mesma música. A primeira música que ouvi ele cantar. “Tudo que eu quero é você de volta, tô te esperando vem bater na minha porta.” Eu queria aquela música gravada na voz dele pra colocar no meu celular, ficar lembrando de quando ele canto já estava começando a ficar repetitivo. Lembrei de quando dançamos juntos, o corpo dele colado no meu, aquela voz suave e rouca no meu ouvido, me arrepiei de novo. Eu preciso tirar aquele garoto da minha cabeça, estou colocando muita esperança onde não tem nada. Esses dias me peguei imaginando um futuro pra nós dois, olha só, eu que até cinco dias atrás disse que não iria me envolver tão cedo com outro homem. É uma coisa meio complicada. Queria saber se você ta tão confuso quanto eu, se a minha presença te deixa sem graça e você faz coisas engraçadas só pra me ver sorrir, mas pensando bem, você não precisa fazer coisas engraçadas pra me ver sorrir, só te de ver, um sorriso brota em meu rosto automaticamente. Eu tenho medo de estar sendo apenas mais uma pra você, mas ai eu penso, como vou ser só mais uma se a gente nem ficou? Se você nem pensa em mim, como eu penso em você? Chega a ser confuso meus pensamentos. Eu quero você. Quero a imensidão dos seus olhos pra mim. Mas tenho medo disso, muito medo. Tenho medo do que essa vontade louca de ter você pra mim pode me causar. Mas confesso que não me importaria com as consequências, pra ter esse sorriso só pra mim.”
Era domingo a noite, terminei de escrever a carta e guardei no meu baú. Como sempre fazia. Era a primeira carta que escrevi pra ele. As minhas primeiras palavras sobre ele, e queria mais, queria escrever mil cartas, ou até um livro. Ele me dava inspiração, me dava coragem, me dava vontade de viver. E engraçado como isso aconteceu com uma pessoa que eu mal conheço. Fui dormir, a segunda iria ser longa. Aliás, a semana toda iria ser longa.
2º Capítulo — Part II.
Eu estava me sentindo bem àquela noite, não sei por quê. Decidi colocar um vestido novo que eu havia comprado a mais ou menos um mês, nunca tinha usado, ele era lindo. Me arrumei e dessa vez quem ia passar em casa era a Paula junto com as meninas. Estava no meu quarto ouvindo Jorge e Mateus e escutei o barulho da buzina do carro da Paula. Despedi dos meus pais e fui, as meninas me elogiaram, disseram que eu estava linda, e se eu já estava me sentindo bem, depois dos elogios me senti melhor ainda. Chegamos no barzinho e tudo estava normal, pedi um chope com groselha e as meninas o mesmo. Ficamos ali conversando durante um bom tempo, quando escutei aquela voz, meu coração acelerou. Procurei de onde vinha e vi-o em cima de um palco meio improvisado junto do seu violão e o sorriso sempre no rosto, sorri de volta. Paula me olhou e deu aquele sorriso que só nós duas entendia, sorri de novo, há essa hora eu estava sorrindo pra tudo, e o melhor, era um sorriso sincero. Ele não tinha me visto, estava em um lugar um pouco escondido de onde ele estava. Ele começou se apresentando, disse que o nome dele era Gusttavo, e fez uma piada sobre cantores de bar, todos riram. Começou cantando Jorge e Mateus.
“Não para de chover e eu preciso do sol pra lembrar seu calor. Se eu te magoei, desculpe estou aprendendo o que é amor. Nas noites mais escuras, nos bares, nas ruas, tudo é solidão. Não me deixe sozinho, falta de carinho rima com nova paixão. Eu quero seu amor, eu quero ser seu homem se você quiser. Se eu tiver seu amor, juro eu não preciso amar outra mulher. Não deixe apagar a fogueira do meu coração.”
O bar todo cantou junto com ele, ele tinha algo que empolgava a todos, e eu gostava disso. Ele disse que ia chamar uma mulher pra dança junto, ele disse. — Você ai que tá escondida no fundo. — Disse apontando pra mim. Eu estava conversando com as meninas, quando percebi que estava todo mundo me olhando. Tomei um susto, e fiquei sem entender, até Paula me cutucar. — Ele ta chamando você, vai logo. Meu coração quase saiu pela boca, e fiquei vermelha. Tomei coragem e levantei pra ir de encontro com ele. Ele estava sorrindo. Aquele sorriso lindo que sempre me deixava sem reação. Quando cheguei perto dele e estendi meus braços pra começar a dançar vi minhas mãos tremendo, ele olhou junto comigo e só falou “Relaxa, eu te levo.” Aquilo me deixou confiante, e relaxei. Dançamos ao som de chora me liga, que um moço estava cantando, parecia muito com ele. Então tomei coragem e disse no seu ouvido.
— Então o tal cantor misterioso tem nome, prazer Gusttavo.
— Na verdade Gusttavo é só o meu nome artístico.
— Então, você ainda continua misterioso. — Disse soltando um sorriso sem graça.
— Digo o mesmo pra moça. Ainda não sei o seu nome, e nem seu número quis me dar.
— Aline. O número você ainda precisa se esforçar mais um pouco pra conseguir.
A música tinha acabado, sorri pra ele e voltei pra minha mesa. O resto do show ele continuou olhando pra mim, eu gostava daquilo. Era uma sensação nova pra mim. Nova e muito boa.
2º Capítulo — “O cantor sem nome.”
Acordei no outro dia com uma leve dor de cabeça. Olhei pro meu celular e era 12h45min. Fiquei na cama mais um quinze minutos e só depois tive coragem de levantar. Tomei um banho de no mínimo meia hora, pra relaxar. Nem tentei ligar pra Paula, àquela hora ela ainda estava dormindo e com o celular desligado, é o que ela faz quando quer dormir até tarde. Procurei alguma coisa pra fazer e peguei meu notebook, entrei no facebook e tinha uma postagem do Diego no meu mural, com uma foto nossa e a com a seguinte legenda:
“Deixa que tudo vai se acertar, pois ninguém pode enganar um coração que um dia jurou te amar, só amar. Que seja onde você estiver, você será minha mulher. Meu bem, te amo tanto.”
Eu adorava aquela música. Aliás, eu adorava todas as músicas de Jorge e Mateus, era fã. Eu curti a foto, mas não comentei. Eu e o Diego éramos o típico casal que todos achavam perfeito, a gente quase nunca brigava, só nos últimos meses do nosso namoro que a gente começou a brigar bastante, o que levou o fim. Namoramos por três anos. Meus pais o adoravam, às vezes eu achava que gostava mais dele do que de mim. Não era pra menos, Diego conquistava todos ao seu redor com seu jeito encantador. Eu gostaria de ainda sentir algo por ele, mas sumiu. Foi embora, evaporou. Não foi de uma hora pra outra, foi com o tempo. Acredito que desde a época em que namorávamos o amor da minha parte já não era mais o mesmo. E agora eu sabia que ele ainda me amava. Bem que a Paula falava.
Me perdi em meus pensamentos e quando dei por mim tinha 5 pessoas falando comigo no chat. Diego, Rodrigo, Paula, Tamiris e a Carol. Tamiris e Carol eram colegas da época da escola, gostava delas, às vezes eu e a Paula saiamos com elas. Elas eram daquele tipo de pessoa que não tem hora ruim sabe? Gosto de pessoas assim. Comecei a conversar com eles e nem percebi o tempo passar, quando dei por mim já era 03h30min, eu ainda nem tinha almoçado. Terminei o assunto com eles e fui almoçar, estava faminta. Comi um frango com polenta que eu adoro. Conversei um pouco com meus pais, meu irmão estava noivo, mal parava em casa. No meio da conversa com meus pais, minha mãe disse o quanto sentia a falta dele. Meu pai já acrescentou que eles criaram os filhos pro mundo e não pra eles e que daqui uns dias seria eu indo embora. “Se depender de mim eu ainda fico aqui por um bom tempo, não precisa se preocupar mãe.” — Pensei. Mas não falei.
O resto do dia correu normalmente. De noite Paula me ligou perguntando o que iríamos fazer. Disse que não estava com animo pra sair, ela estranhou.
— Uai, o que te deu?
— Nada, só estou cansada.
— Você ta estranha hoje. O que aconteceu?
— Lembra do cantor de ontem? — Não esperei ela responder e emendei.— Então, quando eu fui buscar você ontem e não te achei, eu encontrei com ele. Conversamos um pouco, e ele tem algo que mexe comigo.
— Hum, será uma nova paixão?
— Ta louca? Não acho que seria uma nova paixão.
Paula ficou dizendo que no final ela sempre tem razão e eu vi isso com o Diego. Na verdade eu não queria que fosse isso. Eu mal o conhecia. E pelo jeito não iria conhecer, encontrá-lo de novo ia ser impossível. No final decidimos ir a um barzinho aqui na cidade mesmo. Mas dessa vez sem homens, só eu, ela, Carol e Tamiris. Eu estava precisando de uma noite só com as mulheres. Depois que terminei com o Diego não saí sozinha, ele sempre estava. Uma noite sem ele, só com as meninas iria me fazer muito bem.
1º Capítulo — Part III.
Acho que demorei uns 5 minutos só pra levantar da cama, não estava com pressa alguma. Troquei de roupa, peguei as chaves e fui pro rancho. Cheguei la por volta das 3 horas da manhã. Não encontrei a Paula lá, tinha pouca gente. O carro do Rodrigo ainda estava la, menos mal. Peguei meu celular e liguei pra Paula, caixa de mensagens. “Droga Paula você tinha que desliga o celular agora.” — Pensei alto.
— A moça fala sozinha?
Reconheci aquela voz. Involuntariamente meu coração acelerou. Tomei coragem e olhei pra trás, pra onde o som da voz tinha vindo. Encarei aqueles olhos negros que brilhavam.
— Ah, me pegou num péssimo momento pra brincadeira. — Porra Aline, porque tu tem que ser tão ignorante garota? — Pensei.
— O que houve?
— Eu estava em casa dormindo e minha amiga me liga pra eu buscar ela, mas ela sumiu. — Disse tentando ligar pra ela mais uma vez, em vão, o celular continuava desligado.
— Mas você tava aqui, não tava?
— Sim, fiquei até o show acabar e depois fui embora. Inclusive você canta muito bem, parabéns.
— Ah, valeu — Ele agradeceu meio tímido.
— Faz tempo que você canta? Nunca te vi por aqui.
— Faz um tempinho viu, desde os meus 9 anos de idade. — Ele riu, aquele sorriso era o mais perfeito que eu tinha visto — É a primeira vez que toco aqui no rancho, cheguei na cidade faz pouco tempo.
— Nossa, tempão! — Falei meio boba, ainda admirando aquele sorriso. — Bom, mas o pessoal gostou muito de você, pelo visto vai vir mais vezes aqui. Já se acostumou com a cidade?
— Tem como não se acostumar com Goiânia? Isso aqui é o paraíso.
— Concordo, eu amo esse lugar. Mas onde você morava?
— Eu sempre morei em Patos de Minas, mas eu estava em Brasília tentando dar certo na música la, mas as coisas estavam ruins e vim pra cá.
Meu celular tocou naquela hora, era a Paula, ela tinha que ligar justo agora? Pedi um minuto pro cantor e atendi ela.
— Onde você ta dona paula?
— Aqui no carro do Rodrigo. Desliguei meu celular, pra não atrapalha, sabe como é né. — Ela deu uma risadinha.
— Ô piranha! Vocês já estão indo embora?
— Não posso ir embora sem pagar a conta.
— Ah é, tinha até esquecido, to indo ae.
Desliguei na cara dela, mas dessa vez ela estava bêbada demais pra brigar comigo.
— Bom, a conversa ta boa mais eu tenho que ir agora.
— Não mereço nem o número do seu telefone?
— Não sei, quem vai me dizer isso é você. Até mais. — Soltei um sorriso e dei as costas pra ele, indo embora.
Fui até o estacionamento encontrar Paula e Rodrigo. Entreguei a carteira dela pra ela e disse que já estava indo embora.
— Obrigada amiga, eu te amo.
— Ta, eu sei que você me ama Paula. — Falei rindo do seu estado. — Vocês tem certeza que não quer que eu leve os dois embora? O carro do Rodrigo fica aqui e amanhã ele vem buscar.
— Não, eu estou bem pra dirigir agora, depois de suar um pouco o alcóol saiu do meu sangue. — Disse Rodrigo olhando pra Paula com cara de safado.
— Meu Deus, vocês precisam de um motel urgente. — Eu ri. — Então eu to indo. Paula se você lembrar disso vai em casa amanhã.
— Eu vou sim, claro que vou lembrar.
Me despedi dos dois e fui embora. Quando cheguei em casa e deitei na minha cama, não deu tempo nem de respirar e eu já estava dormindo.
1º Capítulo — Part II.
Chegamos 9 horas em ponto no rancho. Parecia que o tal cantor já tinha começado o show, do estacionamento dava pra ouvir ele cantar. “O cara é bom mesmo” — Pensei. — Pedi pra Paula ir pegar a mesa enquanto eu ia no banheiro. Indo pro banheiro pude notar que o Diego tava la em uma mesa junto com o Rodrigo e mais uma galera, lancei um olhar pra Paula que me olhou no mesmo instante e só sorriu. Eu sabia que ela estava morrendo de raiva. Era de se esperar. Entrei no banheiro e fui retocar a maquiagem, quando escutei ele começar a cantar “Tudo que eu quero é você de volta, tô te esperando vem bater na minha porta..”. Eu amava essa música! O cara cantava realmente muito bem, a música tinha ficado melhor na voz dele do que a original. O som da voz dele estava me encantando, e pela primeira vez naquele dia eu sorri. Sai do banheiro e fiquei ali procurando onde a Paula tinha sentado. Quando vi ela na mesa junto com o Diego e o Rodrigo, não sei onde as outras pessoas foram parar, mas só estavam eles lá. “Ótimo, vou ter aguentar o Diego essa noite.” — Pensei. — Andei até a mesa, comprimentei os dois e sentei.
— Porque não retorno minhas ligações?
— Ahh.. desculpa, to sem crédito.
— Fiquei sabendo que vocês iam vir pra cá hoje e arrastei o Rodrigo junto.
— Cadê a galera que tava aqui?
— Eles foram pro Rei da noite. — Rei da noite era uma boate que tinha na nossa cidade.
— Entendi.
O assunto acabou ali. O clima tava pesado, dava pra perceber só pelo ar. E finalmente eu parei pra olhar o tal cantor. Se eu tinha me encantado com a voz dele, depois de olhar me encantei ainda mais com a beleza. Fiquei observando ele cantar e tocar violão. Naquele momento ele tava cantando “Vai com Deus, sejas feliz com o seu amado..” Eu gostava daquela música, lembrava a minha infância. Gostava ainda mais com ele cantando. Ele me olhou. Ficamos nos olhando por uns segundos que pareciam eternidades. Fiquei vermelha.
— Cof cof — Rodrigo começou a tocir de propósito.
Levei um susto, olhei pra eles e eles começaram a rir.
— Ele canta bem demais. — Disfarcei.
— Canta mesmo, como ele chama Diego? — Paula perguntou.
— Não sei.
Olhei pra Paula e dei um olhar de “quero falar com você” ela em seguida pediu pra eu ir no banheiro com ela. Chegando no banheiro ela ja me atacou com suas perguntas.
— O que foi aquilo em dona Aline?
— Aquilo o que?
— Seus olhares com o cantor.
— Ahh, nada demais palhaça. Mas me diga, como os meninos foram sentar com você?
— Ah, eu cheguei e sentei numa mesa sozinha. Não deu um minuto o Rodrigo foi la me comprimentar, fingindo que nada tinha acontecido como sempre. Me fiz de indiferente, pela primeira vez, acho que ele até estranhou. Depois a galera que tava junto com eles na outra mesa começou a levantar pra ir embora e o Diego chegou na mesa perguntando se eles podiam ficar por la.
— Rodrigo precisa ser pisado pra dar valor, ja te disse mil vezes.
— Eu sei. E você ta pisando demais no Diego, ta dano dó. Que desculpa foi aquela de não ter crédito? Seu celular é de conta e ele sabe disso!
— Putz, esqueci desse detalhe. Ah, não estava afim de ver ele hoje, e não ia falar né!
— Ele ainda te ama.
— Acho que você ja ta ficando bêbada, vamos voltar pra mesa!
O resto da noite foi sem mais novidades, a não ser as olhadas que o cantor me dava. Eu estava começando a ficar sem graça, mas estava gostando. O show acabou por volta da meia noite, eu tava querendo ir embora. Chamei a Paula mas ela estava bêbada demais pra resistir ao charme do Rodrigo.
— Eu vou indo gente, Paula você vem comigo ou vai com eles?
Ela olhou pro Rodrigo, e em seguida olhou pra mim com aquela carinha de cachorra abandonada.
— Fica mais um pouco vai.
— Tô cansada. Pode ficar, o Rodrigo te leva pra casa.
— Eu levo se você quiser.
— Tudo bem então, vai com Deus. Cuidado pra dirigir em doida!
— Pode deixar, digo o mesmo pra vocês.
— Line, me deixa em casa? Não to afim de ficar de vela.
Soltei um sorriso e fiz que sim com a cabeça, deixei o dinheiro com a Paula pra ela pagar a conta e segui até o carro com o Diego, sem dizer nada. Eu estava ligando o carro até que ele quebrou o silêncio.
— Quando foi que nos tornamos estranho um para o outro?
— Que isso Di, você não é nenhum estranho pra mim. — Virei a chave do carro desligando-o. Encarei Diego e pela primeira vez naquela noite reparei nele, ele continuava lindo.
— Mas não é o que parece. Você mal falo comigo. E aquela desculpa de que estava sem crédito?
— Desculpa Di, é que as coisas não estão fácieis la no escritório, meu chefe esta pegando muito no meu pé, eu estou ficando mal humorada com os outros, já percebi isso, não queria descontar em você. E eu só queria uma noite calma com a Paula.
— Tudo bem, desculpa eu por forçar a barra pra você! Não entendo porque você ainda ta naquele escritório, você odeia seu emprego, por isso vive mal humorada.
— É ele que paga minhas contas.
O assunto se encerrou por ai, Diego já estava cansado de falar pra eu largar o emprego, quando a gente namorava eu vivia reclamando, e ele pedindo pra eu ir procurar outro. Mas acho que estava ficando acomodada com aquilo. Fomos embora. No caminho trocamos algumas palavras, nada demais, o silêncio sempre prevalecia no final de cada conversa curta. Deixei ele na sua casa, e como de costume ele me deu um beijo na testa de boa noite. Eu adorava quando ele fazia isso. Me sentia protegida de tudo. Enfim cheguei na minha casa, meus pais estavam dormindo como de costume, eles não me esperavam mais chegar pra dormir, confesso que as vezes sentia falta disso. Coloquei meu pijama e deitei na cama, ela nunca tinha me parecido tão confortável como aquele dia. Como de costume me perdi em meus pensamentos ao deitar, e me surpreendi quando me dei conta que estava pensando nele. O cantor que eu ainda não sabia o nome. Aquele olhar, aquela voz, aquele jeito de garoto tímido tinha realmente me encantado. Estava quase pegando no sono quando meu celular toca. “Paula não estou afim de ouvir você chorar bêbada” — Pensei. — Deixei ele tocar até cair na caixa de mensagens. Um minuto depois ele tocou de novo. Decidi atender.
— Fala Paula.
— Nossa quanto mal humor.
— Eu já estava dormindo, se for pra ficar falando merda vou desligar.
— Calma estressadinha! É o seguinte, preciso da sua ajuda.
— Me diz que eu não vou ter que levantar da minha cama, por favor.
— Vai sim. Esqueci minha carteira no seu carro. E eu e o Rodrigo bebemos tanto que o dinheiro dele acabou. Não posso sair daqui sem pagar a conta.
— E porque o Rodrigo não pega o carro dele e vai buscar mais dinheiro?
— Ele esta ruim demais pra isso.
— Meu Deus, vocês me pagam por isso. Já to indo.